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mauro.martins.teixeiraA UFMG sedia um dos 12 centros anunciados pelo governador de São Paulo, João Dória, como responsáveis pelos testes de fase 3, em humanos, da CoronaVac. Candidata a vacina contra o novo coronavírus, desenvolvida pela empresa biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech, este fármaco é considerado um dos mais promissores em todo o mundo. A partir deste acordo com o Instituto Butantan, de São Paulo, que irá coordenar a pesquisa clínica no território brasileiro, a empresa sediada em Pequim fornecerá as doses necessárias para a realização de testes clínicos, com o objetivo de demonstrar sua eficácia e segurança.

Entidade pública do estado de São Paulo, o Instituto Butantan é um dos maiores centros do mundo na pesquisa, desenvolvimento e produção de imunobiológicos - sistemas biológicos vivos estruturalmente anticorpos ou receptores direcionados a um alvo específico. O governador paulista destaca que o acordo com a Sinovac prevê a transferência de tecnologia para a produção desta vacina pelo Butantan, em escala industrial. Se tudo correr como o esperado e a vacina for aprovada, os passos seguintes seriam o registro do produto pela Anvisa e sua distribuição gratuita pelo Sistema ùnico de Saúde (SUS) em todo o Brasil. A capacidade de produção do Butantan é de 100 milhões de unidades da vacina.

Os testes estão previstos para começar já em julho, quando 9 mil voluntários brasileiros já poderão participar da fase 3 de testes deste avançado protótipo de vacina em centros de pesquisas de seis estados brasileiros: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Para iniciar os testes da CoronaVac, no entanto, são esperadas as aprovações finais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética (Conep).

Em Minas Gerais, o parceiro do Butantan é o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos (CPDF) do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB UFMG). Para Mauro Martins Teixeira, professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB e coordenador do CPDF, a vacina usa tec(ABC), exatamente por isso se espera que a aprovação dos testes possa ocorrer mais facilmente. O CPDF também já colabora há três anos com o Butantan fazendo testes de eficácia de uma vacina tetravalente para a dengue.

Os estudos pré-clínicos e estudos clínicos de Fase 1 e 2 também demonstram que a vacina tem perfis favoráveis de imunogenicidade e segurança. Um artigo publicado em maio na revista Science, usando modelo animal, mostrou que a vacina induziu a produção de anticorpos neutralizantes específicos para SARS-CoV-2 em camundongos, ratos e primatas não humanos. Segundo essa pesquisa, esses anticorpos neutralizaram 10 estirpes representativas de SARS-CoV-2, “o que sugere a possibilidade de que ela possa neutralizar outras estirpes do novo coronavírus”, afirmam os autores do estudo estrangeiro. A Sinovac Biotech também já realizou testes em cerca de mil voluntários chineses nas fases 1 e 2 de testes. 

OS PARCEIROS DO BUTANTAN

Na cidade de São Paulo, os testes serão conduzidos pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Hospital Israelita Albert Einstein. Também serão envolvidos no estado de São Paulo a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Hospital das Clínicas da Unicamp em Campinas, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e o Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. As pesquisas serão realizadas, ainda, na Universidade de Brasília (UnB), Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul e Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Em Minas Gerais, o escolhido foi o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. 


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Redação: Marcus Vinicius dos Santos - Assessoria de Comunicação e Divulgação Científica do ICB UFMG

   

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