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Resultados de pesquisa internaciona, com participação de pesquisadores do ICB UFMG e de diferentes outras instituições e países, avaliou substâncias que podem ser potencialmente eficazes contra a protease SARS-CoV-2 e sugere testá-las in vitro e in vivo para avaliar a possibilidade de se desenvolver novos tratamentos contra esse vírus

protômeros A e BLegenda da imagem: Figura ilustra a principal protease coronavírus complexada com os 10 melhores hits de moléculas do farmacóforo Remdesivir. O protômero A é representado pela cor verde, e o protômero B, pela laranja Divulgação / Bruno AndradeOs professores Aristóteles Góes-Neto, do Departamento de Microbiologia, e Vasco Azevedo, do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução (GEE), além do residente de pós-doutorado Sandeep Tiwari, também do GEE, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, integram equipe de cientistas que, valendo-se de uma base de dados sobre compostos naturais e drogas antivirais já conhecidas, buscam substâncias que possam ser testadas como potenciais medicamentos contra o novo coronavírus.

Interdisciplinar, o grupo todo é composto por bioinformatas, virologistas, geneticistas, microbiologistas e químicos, de instituições brasileiras, americanas e indianas – utilizou ferramentas computacionais para comparar as moléculas derivadas de compostos que existem na natureza (como plantas, fungos e outros organismos) com moléculas de drogas antivirais (hidroxicloroquina e remdesivir).

“O objetivo foi selecionar as moléculas naturais mais parecidas com as daquelas drogas. Essas moléculas, ainda que não tenham sido sintetizadas quimicamente em laboratório, podem ser usadas como modelo ou protótipo para a fabricação de novas drogas”, observa o microbiologista Aristóteles Neto.

A pesquisa resultou no artigo Computational Screening for Potential Drug Candidates Against SARS-CoV-2 Main Protease, disponível na plataforma multidisciplinar Preprints, que reúne pesquisas ainda não revisadas por pares e publicadas em revistas.

Entre as 50 mil moléculas examinadas, foram selecionadas as 40 mais semelhantes aos antivirais já em testes contra a Covid-19. Dessas 40, foram escolhidas as 12 de maior potencial para testes in vitro e in vivo. De acordo com Aristóteles Neto, um dos problemas enfrentados é que a realização dessa etapa é muito cara e depende de financiamento.

Replicação viral

Os pesquisadores explicam que utilizaram a estrutura da principal enzima do novo coronavírus – chamada de mpro – e realizaram cálculos de acoplamento com os compostos naturais selecionados, descrevendo sua possível ação de bloqueio na replicação viral.

Segundo o professor Bruno Andrade, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), que é o primeiro autor do estudo, algumas das moléculas selecionadas se “encaixam” na proteína do vírus de maneira até melhor do que a hidroxicloroquina e o remdesivir. “Se forem capazes de bloquear a enzima mpro, as moléculas naturais inibirão o processo de replicação do vírus”, explica.

Bruno Andrade estima que, se tudo correr como esperado, e consideradas também todas as etapas necessárias de experimentoção, é possível que uma droga nova chegue ao mercado em dois anos. Como os estudos ainda são iniciais, os próximos passos envolvem novas etapas de pesquisa que podem mostrar se o grupo está no caminho certo e se, realmente, alguma dessas substâncias poderá resultar em um medicamento. “Isso demanda amplo teste clínico, envolvendo grande número de pessoas. As drogas usadas atualmente no tratamento da Covid-19, embora já aprovadas, não têm a efetividade assegurada. Por isso, é importante buscar novas moléculas”, argumenta.

Novas etapas de triagem computacional serão realizadas, de acordo com Bruno Andrade, com uso de uma plataforma mais poderosa, que possibilitará a comparação de mais de um milhão de moléculas. Sua expectativa é de que sejam encontradas mais moléculas com potencial antiviral, com afinidade não só em relação à enzima mpro, mas também com outras proteínas envolvidas no processo de infecção. “Acredito que há várias opções para se testar essas moléculas e aumentar as chances de atacar o vírus de forma efetiva”, comenta o professor, lembrando que os estudos computacionais são imprescindíveis para o processo de triagem em número de moléculas que ultrapassa a casa dos milhões.

LEIA O ARTIGO

Computational Screening for Potential Drug Candidates Against SARS-CoV-2 Main Protease - 1/4/2020
 Além de Bruno Andrade (UFMG), o artigo também é assinado pelos pesquisadores Tarcisio Melo, Wagner Rodrigues e Lucas Palmeira, da Uesb; Preetam Ghosh, da Virginia Commonwealth University (EUA); Debmalya Barth, do Institute of Integrative Omics and Applied Biotechnology (Índia); Raner Santana, Andria dos Santos e Patrícia González-Grande, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc); Luiz Carlos Alcantara e Marta Giovanetti, da Fundação Oswaldo Cruz, além dos professores do ICB UFMG Aristóteles Góes-Neto e Vasco Ariston de Carvalho Azevedo.

Legenda da imagem: Figura ilustra a principal protease coronavírus complexada com os 10 melhores hits de moléculas do farmacóforo Remdesivir. O protômero A é representado pela cor verde, e o protômero B, pela laranja

(Texto: Matheus Spíndola/ Agência de Notícias da UFMG. Imagem: Divulgação / Bruno Andrade)

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