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Solenidade de abertura, aula inaugural do ProfBio 2017. Foto: Kender Silva, ICB/UFMGSolenidade de abertura, aula inaugural do ProfBio 2017. Foto: Kender Silva, ICB/UFMG

Os 50 alunos aprovados para a UFMG pelo exame nacional de acesso ao Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (ProfBio) foram recebidos no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) com uma Aula Inaugural. Dentre as principais metas do curso estão a melhoria do desempenho do professor da rede pública de educação básica em sala de aula, pautada na lógica da construção do conhecimento científico, como ciência experimental.

Induzido pela Capes e coordenado nacionalmente no ICB, o ProfBio teve sua proposta didático-pedagógica construída a partir do envolvimento das 20 instituições que compõem a rede nacional que se formou para ofertá-lo, com a forte participação da UFRJ. Internamente, foi assumida pelo Núcleo de Apoio à Pós-graduação (NAPG), com o ativo apoio da Diretoria. (Veja uma das primeiras notícias).

Após a primeira parte da solenidade de abertura, os participantes ouviram a palestra “Atividade investigativa: uma estratégia de ensino”, proferida pela doutora em educação Selma de Moura Braga (entrevista abaixo), professora do Centro Pedagógico da UFMG, com atuação na área do ensino da Biologia.

Dentre as autoridades acadêmicas presentes, além do reitor da UFMG, Jaime Arturo Ramírez (foto acima), integraram a mesa de honra o pró-reitor adjunto de pós-graduação, Humberto Osório Stumpf; o diretor em exercício do ICB, Carlos Rosa; o coordenador do NAPG - Núcleo de Apoio à Pós-graduação do ICB, Marcos Horácio Pereira; o representante do Conselho Gestor do ProfBio e diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Paulo Sérgio Lacerda Beirão; ao lado da coordenadora do ProfBio Nacional, Cleida Aparecida de Oliveira e da subcoordenadora nacional do ProfBio Mônica Bucciarelli Rodriguez, neste ato representando a coordenação local.

Durante a cerimônia, o reitor Jaime Ramírez elogiou a iniciativa e reafirmou compromisso da administração central da UFMG com a continuidade do processo. Ele, que foi pró-reitor de pós-graduação, observou a importância tanto da formação stricto sensu para o aprimoramento de professores, quando da UFMG para o desenvolvimento de um país melhor, considerando que a Instituição sedia a Rede ProfBio, no ICB.

Carlos Rosa, vice-diretor no exercício da diretoria, concordou. Também reforçando a importância da iniciativa, fez questão de salientar sua satisfação especialmente com o fato de vários ex-alunos do ICB figurarem entre os novos mestrandos. Segundo Rosa, é dever da Universidade sempre estar de portas abertas para garantir o aprimoramento acadêmico de seus egressos. 

O professor Marcos Pereira, do NAPG, lembrou aos novos alunos que este mestrado profissional surge numa instituição cinquentenária, reunindo a expertise de outros doze programas, alguns com 50 anos de criação: "Sintam-se  abraçados por todos", acolheu, dando o "tom" da iniciativa.

"Educação é muito mais do que transmitir conteúdo. Desenvolver habilidades e atitudes é muito mais importante", afirmou Paulo Beirão, que integra a equipe nacional do Programa. Segundo ele, o ProfBio tem a missão de promover um impacto muito positivo no ensino da Biologia, como uma ciência experimental.

"Ao ser dada ênfase aos fundamentos científicos do conhecimento biológico atual, a ideia é que o aluno do ensino médio tenha a oportunidade de desenvolver a capacidade de buscar conhecimentos e saber criticar os conhecimentos disponíveis, usando o método científico", resume o professor da Bioquímica e Imunologia. Beirão chama a atenção ainda para a necessidade de que Minas Gerais crie um modelo de desenvolvimento baseado em Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I).

Números impressionam

Para a coordenadora nacional do ProfBio, professora Cleida Oliveira, do departamento de Morfologia do ICB, os índices alcançados nesta primeira oferta do curso já evidenciam que ele atende a uma desejável ação de formação profissional, aliada à redução das desigualdades regionais.

Oferecido no formato semipresencial, nas cinco regiões brasileiras, o primeiro exame seletivo do ProfBio recebeu 1992 inscrições para as 18 Universidades integrantes da Rede Nacional. Deste universo, 446 (22.3% do total) foram selecionados. A média nacional de aprovados foi de aproximadamente 4 por vaga. A UFMG foi a instituição que apresentou o maior número de inscritos - 353, estabelecendo uma relação próxima a 6,5 alunos por vaga.

Na relação candidatos/vaga, a UESPI (Universidade Estadual do PiauÍ) ficou em primeiro lugar nacional, com média de 14 alunos por vaga. Em segundo ficou a UECE (Universidade Estadual do Ceará), com quase 8 alunos por vaga, e, em terceiro lugar, a UFMG (6,5/vaga).

À semelhança dos demais programas de mestrado profissional em rede nacional, o de Biologia também utiliza toda a estrutura de ensino a distância disponibilizada pelo Sistema da Universidade Aberta do Brasil (UAB).

"Esperamos que no ano que vem possamos fazer uma nova chamada de seleção, para entrada em agosto de 2018", declara Cleida Oliveira.

Proposta integradora

Em linhas gerais, a proposta é inovadora, dentre outros motivos porque pretende levar o aluno a construir o conhecimento na área da Biologia por meio da aplicação do método científico e de forma experimental. Ao buscar integrar os conteúdos tratados, traduz a Biologia, em si, que é uma ciência experimental, esclarece Cleida Oliveira.

Segundo ela, outro diferencial deste mestrado profissional é a inclusão de atividades de aplicação e de avaliação em sala de aula. “O mestrando terá a oportunidade de aplicar seus novos aprendizados trabalhando com seus alunos do ensino médio os conceitos-chave explorados em cada tópico de Biologia, e as estratégias de abordagem que ele terá aprendido sobre esses temas”, afirma.

Na avaliação da professora, esse método traz no mínimo duas vantagens. Uma delas é a imediata transposição do conhecimento adquirido pelo mestrando para as salas de aula da rede pública, sem precisar aguardar a conclusão do curso, que tem duração de 2 anos.

Outra vantagem apontada é o fato de que o mestrando terá apoio direto de seus orientadores. “Ao final do curso já estará familiarizado com a metodologia científica e independente para criar seus futuros planos de trabalho”, afirma. A sala de aula do ensino básico será um campo de prática importante para esses mestrandos.

Na primeira disciplina do curso, a professora Zulmira Medeiros, pedagoga da Diretoria de Inovação e Metodologias de Ensino da UFMG, ensinou sobre o uso de Ambientes Virtuais de Aprendizado (AVA). Foto: Vítor Dias, ACBio/ICB/UFMGNa primeira disciplina do curso, a professora Zulmira Medeiros, pedagoga da Diretoria de Inovação e Metodologias de Ensino da UFMG, ensinou sobre o uso de Ambientes Virtuais de Aprendizado (AVA). Foto: Vítor Dias, ACBio/ICB/UFMG

ENTREVISTA - Professora Selma Moura Braga

Foto: Rádio InconfidênciaQual a importância da investigação no ensino da biologia?

Há pesquisas que apontam que o ensino com base na investigação possibilita o aprimoramento do raciocínio e das habilidades cognitivas dos alunos. Também contribui para que os alunos compreendam a natureza do trabalho científico e amplia a cooperação entre eles. Os cursos de  formação de professores de Biologia sempre privilegiaram a compreensão do trabalho científico. Entretanto,  a "investigação como  estratégia de ensino a ser explorada na educação básica" raramente é abordada nos cursos de formação inicial de professores. É comum alunos dos cursos de licenciatura de Biologia em estágio curricular manifestarem estranhamento quando abordamos a investigação como estratégia de ensino. Desconhecem aspectos teóricos e a história do ensino por investigação no Brasil e em outros países. Dificilmente essa estratégia  é explorada pelos licenciandos nos estágios nas escolas. Considero essa etapa de formação como uma oportunidade de aplicação e aprofundamento no conhecimento dos referenciais teóricas dessa estratégia pelos licenciandos.

E qual seria o resultado esperado com o uso desta estratégia?

Formar professores que  conduzam seus alunos a propor problemas, preferencialmente em forma de perguntas de modo a estimular a curiosidade científica do estudante; levantar hipóteses, emitidas pelos alunos por meio de discussões; coletar e analisar dados, utilizando tabelas, gráficos, textos, e, então, elaborar conclusões. Ao vivenciar essas etapas os alunos têm oportunidade de formular respostas ao problema inicial. A partir dos dados obtidos e analisados. E essa formação do professor deveria acontecer desde o primeiro período do curso de licenciatura. Esse exercício na licenciatura requer dos futuros professores um aprofundamento e domínio dos conteúdos que organizam o pensamento biológico e como trabalhar em diferentes níveis de envolvimento com a atividade investigativa. O mesmo deve ser pensado na educação básica. Desde os anos iniciais da educação básica os alunos devem ser estimulados a vivenciar etapas da investigação.  Os diferentes níveis de dificuldades e os problemas a serem investigados devem ser avaliados pelo professor.

A Sra. acredita que as crianças estejam perdendo a curiosidade científica? A escola teria responsabilidade neste processo?

Sem dúvida que ao longo da escolarização os alunos vão reduzindo a curiosidade científica. Credito parte da responsabilidade desse processo a nós, professores da educação básica. Há lacunas na formação de professores , não apenas quanto ao domínio de conteúdos, mas também quanto às diferentes estratégias que poderiam ser exploradas no ensino de ciências, de modo a manter a curiosidade ao longo da educação básica. Entretanto, outros fatores internos à escola contribuem para a precarização do ensino de ciências: salas com número excessivo de alunos, mais de 40 alunos/por turma no ensino médio, por exemplo, ou a ausência de laboratórios de ciências na escola, o que dificulta o ensino por investigação. 

Como reverter esse quadro num programa de mestrado profissional, como o ProfBio?

Explorar o ensino por investigação no ProfBio é uma possibilidade de formar professores com maior fundamentação teórica nessa estratégia de ensino - seu uso e limites. Ainda, possibilita a formação de multiplicadores nas escolas para explorar o ensino por investigação. Seria interessante estimular os mestrandos do ProfBio a investigarem o uso dessa estratégia em suas escolas, bem como propor "produtos pedagógicos" que envolvam o ensino por investigação. Há pesquisas que apontam a precária formação dos docentes e são pouco experientes no ensino por investigação. Além disso, eles têm domínio limitado sobre teorias/conceitos que organizam o pensamento biológico.

Como a Sra. distinguiria essa iniciativa na formação de professores de Biologia, assim como na formação dos alunos destes mesmos professores?

Iniciativas como o ProfBio, em um Instituto como o ICB, com longa trajetória no bacharelado/licenciatura em Biologia, nos dá esperança de ampliar a formação continuada de professores de Biologia da educação básica, especialmente com estratégias alternativas para a melhoria do ensino de ciências. Quanto ao engajamento dos alunos para realizar as atividades de  investigação, a coleta de dados, tanto por meio dos experimentos, quanto da bibliografia consultada, aliados à comunicação para a turma dos estudos realizados, tal como ocorre na Ciência, é importante para que compreendam o conteúdo tratado e a natureza do conhecimento científico que está sendo desenvolvido por meio dessa metodologia de ensino.

SAIBA MAIS

Mais informações: (31) 3409 3061 |  | Site do ProfBio BH | Site do ProfBio Nacional

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