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coronavirus sociedadesurbanasGeofilogenia (mapeamento da árvore filogenética com as áreas de distribuição geográfica dos virus da família dos coronavirus): à esquerda. Detalhe: principais fatores ambientais que determinar a trasmissão de vírus da família dos coronavírus de animais selvagens para humanos: à direita.

Estudo em escala global mostra relação com padrões insustentáveis de desenvolvimento de longo prazo

Um estudo realizado em escala global e publicado pela revista Environmental Microbiology da Society for Applied Microbiology (SFAM) (https://sfamjournals.onlinelibrary.wiley.com/journal/14622920) reforça os inúmeros e constantes alertas da comunidade científica: o surgimento dos coronavírus é consequência de padrões insustentáveis de desenvolvimento da sociedade humana ao longo do tempo. A pesquisa teve a participação de cientistas do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG.

“Mostramos com modelos matemáticos quantitativos e testes estatísticos robustos que ambientes urbananizados, poluídos e ‘desenvolvidos’ são muito mais propensos a transmissão de vírus da família do coronavírus de animais para humanos do que, por exemplo, lugares de fronteiras com regiões ainda preservadas”, afirmou o pesquisador Aristóteles Góes-Neto, professor adjunto do Departamento de Microbiologia.

A pesquisa, financiada pela Capes e pelo CNPq, foi realizada por uma rede que inclui pesquisadores brasileiros, dos Estados Unidos e Índia com o objetivo de entender a influência do tamanho da população humana, densidade da populacional humana, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), emissões de CO2, precipitação total, precipitação do mês mais seco, área de remanescentes florestais e desmatamento sobre a ocorrência e transmissão de vírus da família coronavírus.

De acordo com o geneticista Vasco Ariston de Carvalho Azevedo, professor titular do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução, “o estudo evidencia a maior ocorrência desses vírus em locais com maior IDH, emissão de CO2 e densidade populacional, juntamente com mais chuvas e sazonalidade mais acentuada”.

Segundo informou Vasco Azevendo, pesquisador 1A do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências, foram usados todos os genomas de CoVs sequenciados completos depositados nos bancos de dados NCBI e GISAID até janeiro de 2021. “Com exceção do Deltacoronavirus, concentrado em Hong Kong e em aves, os outros três gêneros estavam espalhados por todo o planeta, além da distribuição original da subfamília, e encontrados em humanos, mamíferos, peixes e aves, selvagens ou domésticos”, revelou o professor.

O trabalho abre novas perspectivas de estudo. De acordo com Aristóteles Góes-Neto, coordenador do Programa de Pós-Graduaçao em Bioinformatica, único do Brasil com conceito CAPES 7, )um dos fatores muito importantes para o surgimento de novos coronavirus (e de outros virus emergentes) é o trafico ilegal e o consumo da carne de animais selvagens, o que “é possível monitorar por meio da dark web”.

Para o pesquisador do CNPq (nível 2), a maior questão é “cuidar bem do planeta, poluir menos, produzir menos lixo e menos CO2 emitido por atividades humanas, diminuir cidades superpopulosas e densas, além de “monitorar a probabilidade de novas surtos de viroses emergentes, sempre”.

 

Redação: Dayse Lacerda

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