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YaraVirus 1280p. Centro de Microscopia da UFMGEmbora a covid-19 tenha dominado as manchetes deste ano, muitas outras notícias científicas importantes foram dadas. Para evidenciar um pouco dessas notícias “não covid-19” o editor adjunto de notícias da revista científica Science, David Grimm, publicou, no dia 18/12, uma seleção das dez mais populares do ano.

“Os vírus são algumas das coisas mais estranhas da Terra. Agora, os cientistas descobriram um que não tem genes conhecidos, tornando-o o mais estranho de um grupo já estranho”, afirmou Grimm, referindo-se ao Yaravirus brasiliensis, uma linhagem de vírus de ameba com origem e evolução ainda misteriosas, descoberta nas águas da Lagoa da Pampulha, na capital mineira, em 2017, por pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (ICB).

O artigo “Yaravirus: A novel 80-nm virus infecting Acanthamoeba castellanii”, foi publicado em parceria com pesquisadores da Universidade Aix Marseille, da França, na revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos (PNAS - 30/07/2020). O nome Iara, a rainha das águas no folclore brasileiro, é uma homenagem à cultura nacional, mas o grande mistério do Yaravírus é que 90% dos genes dessa entidade biológica são desconhecidos. A nova forma de vida é menor do que os outros vírus, medindo aproximadamente 80 nanômetros. Um nanômetro é um milionésimo de milímetro.

Tanta raridade desafia a forma como são classificados os vírus e pode levar à necessidade de desenvolver uma nova forma de se fazer isso. Logo, conhecer melhor essa entidade pode significar avanços no entendimento do universo da virosfera, afirma o professor Jônatas Abrahão, do Laboratório do Vírus do Departamento de Microbiologia do ICB UFMG, e quem coordena o estudo. “Também mostra o quanto ainda precisamos entender sobre vírus”, avalia o especialista, lembrando que há falta de consenso científico inclusive se os vírus são ou não são seres vivos.

O Yaravírus pode representar o primeiro vírus isolado de Acanthamoeba spp. fora do grupo dos Vírus nucleocitoplasmáticos de grande DNA (NCLDV) ou, em um cenário alternativo, um vírus distante e extremamente reduzido deste grupo. “Ao contrário do que é observado em outros vírus isolados de ameba, o Yaravírus não tem uma partícula grande ou um genoma complexo, mas ao mesmo tempo carrega uma série de genes não descritos anteriormente”, afirmam os pesquisadores.

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Our favorite science news stories of 2020 (non–COVID-19 edition)
David GrimmDec. 18, 2020

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Os responsáveis pela descoberta falam do vírus, como foi o processo e as perspectivas que a descoberta trazem.

LEIA O ARTIGO

Yaravirus: A novel 80-nm virus infecting Acanthamoeba castellanii
Paulo V. M. Boratto, Graziele P. Oliveira, Talita B. Machado, Ana Cláudia S. P. Andrade, Jean-Pierre Baudoin, Thomas Klose, Frederik Schulz, Saïd Azza, Philippe Decloquement, Eric Chabrière, Philippe Colson, Anthony Levasseur, Bernard La Scola, and Jônatas S. Abrahão
PNAS July 14, 2020 117 (28) 16579-16586; first published June 29, 2020

 

 

 

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