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flaviofonsecanoctvacinas2Por que o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus pode levar no mínimo mais uma ano? Apesar de uma verdadeira "corrida" de especialistas de várias partes do mundo, esse é o tempo previsto por vários pesquisadores ao redor do mundo.

Em entrevista ao programa Conexões, da Rádio UFMG Educativa, o professor Flávio Guimarães, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), afirma que esse tempo é devido ao rigor científico necessário no processo de desenvolvimento de uma imunização eficaz.

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Biólogo, doutor em virologia, Flavio Guimarães destaca na entrevista a importância da vacina para conter a covid-19, mas avalia que esse tempo mínimo de um ano deverá ser necessário até mesmo para os laboratórios da China e dos Estados Unidos, que estão na frente nessa busca. A pesquisa que vem sendo desenvolvida aqui no CT Vacinas da UFMG, da qual ele participa, é esperada para 2022.

O produto precisa passar por estudos pré-clínicos, feitos em amostras de células e em cobaias, depois passa para a bancada de laboratório. O próximo passo são as pesquisas clínicas, com a colaboração de seres humanos. Aí o processo fica mais rigoroso e mais longo. Dividido em três fases é nesse estágio que são testadas a segurança e a eficácia do novo produto. E em cada uma das fases o número de voluntários precisa ir aumentando, garantindo a confiança e a solidez do processo.

REDE VÍRUS

Flávio Guimarães integra também seleto grupo de pesquisadores convocados pelos ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para compor o "Núcleo Rede Vírus". “Trata-se de uma estratégia governamental de enfrentamento. Foram convocados para a linha de frente profissionais da medicina e infectologia, redes de atendimento ao paciente e de diagnóstico dos casos suspeitos do país inteiro. A rede de cooperação foi criada porque esses segmentos precisam de suporte de pesquisa, e ela funciona muito nos moldes da Rede Zika no Brasil”, esclarece.

Ainda de acordo com o pesquisador, os envolvidos nesse Núcleo participaram de reuniões presenciais e por videoconferência com autoridades governamentais ao longo da semana passada. A expectativa é que a força-tarefa apresente resultados entre seis meses e um ano de trabalho. As atribuições dos membros da Rede, que atua em várias frentes, são divididas de acordo com o ponto forte de cada instituição. “A produção de testes diagnósticos, por exemplo, é a expertise do CT Vacinas da UFMG”, afirma Guimarães.

Em todo o mundo existem cerca de 70 pesquisas por uma vacina contra o covid19, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil o CT Vacinas da UFMG é um dos dois laboratórios genuinamente nacionais trabalhando nisso, mas em fase bastante inicial, que necessita passar por todos os testes necessários para ser considerado confiável. Por este motivo o professor acredita que os estudos da UFMG poderão ser finalizados em cerca de dois anos.

O trabalho do CT Vacinas também foi abordado anteriormente em entrevista concedida ao Portal UFMG pelo professor Ricardo Tostes Gazzinelli, do departamento de Bioquímica de Imunologia do ICB e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas/MCT.

 

(Com informações da Agência de Notícias da UFMG. Foto: Site da Fundep/Arquivo)

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