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Ênio Cardillo Vieira *

Nelson Gonçalves, ao lado de outro famoso da época, Henrique de Almeida (Foto: Wikipedia)Nelson Gonçalves, ao lado de outro famoso da época, Henrique de Almeida (Foto: Wikipedia)Todo começo de ano a gente ouve votos de felicidades. E, se eu tivesse a oportunidade de lhe dar um conselho, leitor, escolheria uma forma de lhe recomendar: Exponha-se à música! Cante, dance, ou ouça uma música que lhe faça bem.

Não sou especialista nessa área, mas como amante fervoroso, sei que a música conforta, transporta, rejuvenesce e ainda pode ajudar o organismo em várias funções.

Como tudo na vida, melhor evitar exageros. E é com este objetivo que lhe apresento minha verdadeira dica: Nelson Gonçalves. Cantor de muito sucesso na minha juventude, ele era trilha sonora garantida para um momento de galanteio ou simples encontro entre amigos.

Encantava os jovens e trazia agradáveis reminiscências aos mais velhos. Por conta de sua voz grave e forte, o moço fazia muito sucesso.

Um dos grandes sucessos de Nelson Gonçalves de que me recordo muito bem, foi lançado ainda nos anos 40: “Normalista” ("Vestida de azul e branco, mostrando um sorriso franco..."). Para ouvi-la acesse bit.ly/normalist.

Graças aos hábitos e costumes de hoje, talvez essa música nem faça tanto sentido, mas à época arrancava suspiros.Era um "estouro", a lembrar a gíria da época.

Uma curiosidade sobre Nelson é que ele era gago, e, segundo conta a história, começou a cantar para se livrar do problema. E como isso deu certo! Era um sucesso atrás do outro! Segundo a internet, tornou-se o segundo maior vendedor de discos do Brasil, com mais de 81 milhões de cópias. O primeiro lugar teria ficado com o “Rei” Roberto Carlos. Dois estilos completamente diferentes, que persistem no tempo e na memória.

De origem humilde, a vida de Nelson sempre foi de muita luta. Literal e figuradamente. Foi campeão paulista de boxe, garçom, dentre outras coisas, mas seu sonho era ser artista. Após ser reprovado em vários programas de calouros, sua sorte começou a mudar em 1941, depois que gravou um disco de 78 rotações. Então, conseguiu ser Crooner -aqueles cantores que se apresentam com uma orquestra-, no Cassino do Hotel Copacabana Palace. Nos anos 50, fez grandes shows no exterior.

Tendo tornado-se dependente de cocaína - o que destruiu seu septo nasal e seu casamento- teve ainda mais altos e baixos na vida pessoal. Livrou-se da dependência e voltou a cantar. Para celebrar este retorno, Adelino Moreira compôs, para Nelson cantar “A volta do boêmio” ("Boemia, aqui me tens de regresso e suplicante te peço a minha nova inscrição..."). Ouça em bit.ly/voltadoboemio.

Gravou até os anos 90, sempre mantendo a marca de recordista de vendas. Nascido no estado do Rio Grande do Sul, em 1919, morreu, no Rio de Janeiro, em abril de 1998.

 Prof Enio Cardillo Vieira * Professor Emérito do ICB, 85 anos, coordenou a pós-graduação em Bioquímica e Imunologia entre 1885 e 1989, nutrólogo atuante, pai, avô e amante da música popular brasileira.

 

Fotos: Nelson Gonçalves: Wikipedia/Royalty Free. Enio Cardillo: www.microbiologia.icb.ufmg.br


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A coluna Vem Comigo é publicada no jornal mural Somos ICB, com o objetivo inicial é ser um espaço onde - exclusivamente - os trabalhadores do Instituto possam publicar artigos de opinião ou literatura, como forma de alargar horizontes ou simplesmente entreter.  O texto deve ser opinativo, escrito na primeira pessoa, com cerca de 2500 caracteres com espaços, e, se possível, ser estruturado de forma que o primeiro parágrafo tenha cerca de 700 caracteres, o que será publicado no jornal, e, sua íntegra, será postada na internet e divulgada no Facebook e na TV ICB. Para participar o servidor do ICB deve enviar sua sugestão de texto para

 

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