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microscopia3Imagem registrada pelo Centro de Microscopia da UFMG. 2012. Acervo do CM UFMGIntervenções mineiras vão incentivar a expansão do acesso ao diagnóstico por imagem em todo o Brasil

Dois projetos coordenados por docentes do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram selecionados em uma chamada internacional da Iniciativa Chan Zuckerberg ou CZI (na sigla em inglês), organização filantrópica cofundada e copresidida Mark Zuckerberg, do Facebook, e por sua esposa, Priscilla Chan.

Ao todo serão investidos U$ 500 mil, dirigidos a capacitar e ampliar o acesso de pesquisadores a conhecimentos e a novas tecnologias de diagnóstico por imagem, as quais podem ser usadas em pesquisas voltadas à prevenção e ao controle de doenças. A divulgação do conhecimento e o fortalecimento da cultura científica em escolas públicas de nível básico e fundamental é outro objetivo importante das propostas.

Os projetos “Rede de Bioimagem para o Avanço da Pesquisa Biomédica (Rede BioIMG Net)”, coordenado pela professora Cristina Guatimosim, e “Democratizando a Microscopia no Brasil”, liderado pelo professor Gustavo Batista Menezes, ambos do Departamento de Morfologia, estão previstos para serem realizados em três anos e o montante do financiamento deverá custear salários e a mobilidade de pessoal, além da realização de eventos científicos e a divulgação de informações.

A Iniciativa Chan Zuckerberg (www.chanzuckerberg.com) é uma instituição filantrópica, fundada em 2015, com o objetivo de ajudar a resolver alguns dos desafios mais difíceis da sociedade - desde a erradicação de doenças e melhoria da educação até o atendimento das necessidades de comunidades locais – e com a missão de construir um futuro mais inclusivo, justo e saudável para todos.

Cristina.Guatimosim.ICB.UFMG ArquivoREDE BIOIMAGEM

De acordo com a bióloga Cristina Guatimosim (na foto ao lado), coordenadora da Rede BioIMG Net, junto com os professores Gregory Kitten, diretor do Centro de Microscopia da UFMG, e Rossana Melo (UFJF), o primeiro passo será “promover o intercâmbio e oferecer treinamento a pesquisadores, técnicos e alunos em técnicas avançadas de microscopia”. Para alcançar esse objetivo estão previstos a realização de cursos e workshops, a produção de um website para a divulgação das atividades da rede, além de visitas monitoradas de estudantes e professores de Educação Básica de escolas públicas aos laboratórios e centros multiusuários participantes.

Com sede no Centro de Microscopia da UFMG, a Rede BioIMG net é composta pelo Centro de Aquisição e Processamento de Imagens (CAPI) do Instituto de Ciências Biológicas e da Faculdade de Medicina da UFMG da UFMG, além de outros cientistas, laboratórios e estruturas técnico-científicas da UFOP, UFJF, UFVMJ, UFV, Funed e Fiocruz, as quais já começaram a se articular tão logo foi feita a divulgação do prêmio. Os recursos devem ser liberados já a partir de dezembro de 2021.

Guatimosim destaca que o reconhecimento de um projeto mineiro “mostra que estamos no caminho certo. E evidencia a necessidade de que, em condições adversas, com a educação sucateada e com menos recursos investidos, precisamos tentar outras alternativas”. O “Prêmio de expansão do acesso global à bioimagem” é, segundo Guatimosim, o maior de sua carreira em termos de financiamento e vai impactar as pesquisas de colegas. “O que está sendo construído é coletivo”, reconhece, comemorando também a possibilidade de poder trabalhar para a comunidade científica bem como permitir acesso de alunos e professores de escola pública às mais avançadas técnicas de Bioimagem.

Gustavo.Menezes.ICB.UFMG Arquivo.PessoalDEMOCRATIZANDO A MICROSCOPIA NO BRASIL

O outro projeto, liderado pelo imunologista Gustavo Menezes (foto) junto com o professor Heitor Paula-Neto (UFRJ), pretende identificar e visitar grupos de pesquisa de todo o Brasil oferecendo treinamento para o uso da microscopia intravital (IVM). Essa ferramenta permite visualizar dinâmicas de fenômenos biológicos em indivíduos vivos (in vivo), com uma altíssima resolução de imagem, capaz de permitir uma perfeita visualização de fenômenos biológicos – como por exemplo um processo inflamatório ou uma infecção - dentro de animais ainda vivos. Esse método é considerado um dos mais próximos que se pode chegar de uma realidade biológica, quando comparado por exemplo com técnicas histológicas ou métodos in vitro, ou seja, realizado fora de um organismo vivo.

Com a meta audaciosa de chegar aos 26 estados do país, a equipe também vai ensinar soluções de baixo custo, como pequenos ajustes ou reparos em microscópios que possam melhorar a tecnologia de imagem. Além disso, está prevista a realização de eventos no ICB UFMG com o objetivo de criar um “Polo Nacional de Bioimagem”. Dando transparência à iniciativa, o trabalho será relatado no perfil do Instagram @bioimagingbrasil e, ao final, o conteúdo será transformado em documentário.

Menezes avalia que um projeto de Minas Gerais, com origem na UFMG, estar sendo observado por uma organização que nasceu no Vale do Silício (Califórnia-EUA), berço da tecnologia mundial, comprova que “a pesquisa é o único mecanismo para salvar a vida na face da Terra”. Ele lamenta que o Brasil continue a tomar decisões que tiram a ciência da posição estratégica de prioridade, mesmo a pandemia tendo mostrado que o conhecimento científico é fundamental para a sobrevivência da humanidade.

O professor aproveita para expressar sua “gratidão às alunas e aos alunos brilhantes que o ajudaram nessa caminhada”. Consciente e sensível à realidade da mulher na ciência, o projeto conta com uma pesquisadora na coordenação do projeto. “Elas estão em todos os lugares de excelência, mas nem sempre em posições de liderança”, declara, lembrando ainda que mulheres são a maioria em seu grupo de pesquisa e corresponsáveis pelo sucesso do projeto premiado.

SOBRE OS PESQUISADORES

CRISTINA GUATIMOSIM FONSECA - Graduada em Ciências Biológicas (UFMG), possui doutorado pela UFMG, doutorado-sanduíche na University of Colorado School of Medicine, e pós-doutorado na Harvard University. Atualmente é professora titular do Departamento de Morfologia (ICB-UFMG). Já coordenou o Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular da UFMG e tem experiência na área de Morfologia, com ênfase em Citologia e Biologia Celular, atuando principalmente nos seguintes temas: Comunicação neuronal, Junção Neuromuscular, modelos murinos de disfunção colinérgica e Doença de Huntington.

GUSTAVO BATISTA DE MENEZES - Cirurgião-Dentista (UFMG), mestre em Ciências Biológicas - Fisiologia e Farmacologia pela (UFMG) e doutor em Farmacologia (UFMG). Possui Pós-doutorado em Patologia e Biologia Celular (UFMG) e em Imunologia (Universidade de Calgary-Canadá). É professor associado da UFMG e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (2015-2019). Diretor do Nikon Center of Excellence-Brazil e diretor do Centro de Excelência BD Biosciences em Pesquisas Interdisciplinares. Diretor científico da Maxillofacialtips e investigador principal do Center for Gastrointestinal Biology (ICB-UFMG). Trabalha com Imunologia, Biologia Celular, Hepatologia, Gastroenterologia, Nutrição e Desenvolvimento Neonatal e Divulgação Científica.

CONHEÇA OS PROJETOS

Rede de Bioimagem para o Avanço da Pesquisa Biomédica (BioIMG Net)

Democratizando a Microscopia em todo o Brasil

 

 

Redação: Dayse Lacerda. Coordenação: Marcus Vinicius dos Santos.

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