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capa.livroO caráter coletivo da ciência - exemplificado pela força e relevância acadêmica e científica do Instituto de Ciências Biológicas e pelo seu reconhecimento como um dos mais importantes em sua área no Brasil e no exterior - é um dos principais aspectos relatados no livro “A Ciência no ICB UFMG - 50 nos de História”. O lançamento será nesta sexta-feira, dia 4, às 4 da tarde.

Na ocasião, alguns trechos e “causos” serão apresentados pelas organizadoras da obra, pelas professoras Ana Carolina Vimieiro Gomes e Rita de Cássia Marques, do grupo Scientia, dedicado a Teoria e História da Ciência, do Departamento de História da UFMG.

A obra foi editada, nos formatos impresso e e-book, pela Fino Traço Editora, que irá sortear dois exemplares durante o evento, para os participantes da live que se inscrevem no ato do lançamento. Participam os diretores do ICB, da atual gestão, Carlos Augusto Rosa e Élida Mara Rabelo, e da gestão que iniciou a obra, Andréa Macedo. Na ocasião, a professora Yara Maria Frizzera Santos, será homenageada em nome de seu marido, professor Tomaz Aroldo da Mota Santos (foto abaixo, no centro), idealizador e grande responsável pela produção do livro.

Rita Marques faz questão de registrar que a expectativa do professor Tomaz era resguardar os 50 anos de história científica que fizeram o ICB ser reconhecido pela sua excelência. Falecido em junho de 2020, o professor emérito Tomaz da Mota foi reitor da UFMG (1994-1998) e diretor do ICB por dois mandatos (1990-1994 e 2010-2014).

Tomaz recebeu o diploma de emérito do reitor Jaime Ramírez e da diretora do Instituto de Ciências Biológicas Andréa Mara Macedo Foto Foca Lisboa UFMG 345x230O professor Tomaz, ao centro, será homenageado durante o lançamento do livro. Nesta foto, de 2017, ele recebe o diploma de professor emérito da UFMG das mãos dos então reitor Jaime Ramírez e da diretora do ICB Andréa Mara Macedo (Foto: Foca Lisboa / UFMG)"[Obra] aproveita o estudo de caso dos 50 anos do ICB para discutir a complexidade da ciência em ação e a trama complexa envolvida no desenvolvimento da ciência em uma instituição universitária de ensino, pesquisa e extensão"

 

 

Para ele a história administrativa do Instituto já estava muito bem representada no livro “ICB 30 anos: Memórias do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG", organizado pelo ex-diretor Ramon Moreira Cosenza. Essa obra faz um levantamento histórico a partir da trajetória dos seus departamentos e a evolução do curso de Ciências Biológicas, desde os tempos do antigo curso de História Natural, uma de suas origens. Tomaz sentia falta da história mais focada no trabalho de pesquisa.

Como no caso do Grupo Interdepartamental de Doenças endêmicas, o GIDE, por exemplo, e sua capacidade de integração de pesquisadores de vários departamentos em uma agenda de pesquisa comum, inserção no cenário científico internacional e como espaço importante para a criação de condições de infraestrutura e mão-de-obra especializada para a realização de pesquisa biotecnológica de ponta. O livro mostra vários outros casos de sucesso realizados por pesquisadores do Instituto.

“Este livro é um convite para os leitores se engajarem nas questões da História da Ciência e refletirem sobre como o passado tem implicações no processo de desenvolvimento científico do presente”, afirma Rita Marques. Ela conta ainda que a ideia foi aproveitar o estudo de caso dos 50 anos do ICB para discutir a complexidade da ciência em ação e a trama complexa envolvida no desenvolvimento da ciência em uma instituição universitária de ensino, pesquisa e extensão.

“Os valiosos depoimentos dos professores e funcionários entrevistados, guardiões das lembranças, desvelaram muitas estórias dentro da história, revelando como ao longo dos anos foi-se tecendo uma memória coletiva do ICB”, adianta a historiadora da ciência.

SEMANA DE INICIAÇÃO E MAIS ...

Com os depoimentos e a documentação consultada foi possível captar a presença de uma série de valores e afetos partilhados coletivamente, tais como: capacidade de senso de oportunidade para viabilizar as pesquisas, percebidos na escolha de temas de pesquisas conjuntos e na construção de condições de infraestrutura partilhados pelos vários grupos de pesquisa, como o biotério e o centro de microscopia; a necessidade de se cultivar legados e despertar as vocações científicas desde a graduação.

“É no ICB, por exemplo, que nasce a Semana de Iniciação Científica”, recorda a historiadora, lembrando também o valor da extensão para o desenvolvimento do conhecimento integrado à sociedade; a forte presença de uma ênfase biotecnológica e a busca pela aplicação dos conhecimentos; o apreço pelo ambientalismo e a educação ambiental; o valor das funções administrativas, como frente de ação para se fazer política científica e universitária.

Para Ana Carolina Vimieiro, não se pode deixar de destacar que a história do desenvolvimento científico do ICB é atravessada pelas conjunturas sociais políticas e econômicas da segunda metade do século XX, como da Ditadura Militar Brasileira e da Guerra Fria.

Ela relembra a relevância de o que permitiu o ICB sair na frente como central de ensino, graduação e pós-graduação, e pesquisa em ciências biológicas e biomédicas se relaciona com a trama de apoio financeiro e políticas científicas e educacionais de organismos internacionais dirigidas aos países do “Terceiro Mundo”, tais com a Fundação Rockefeller, que fomentou a formação e treinamento de vários professores do ICB nos EUA.

“O programa e modernização conservadora do governo militar levou à reorganização institucional das universidades brasileiras na Reforma Universitária em 1968 e muitos professores do ICB souberam explorar a conjuntura política em benefício de suas atividades científicas, tornando-as mais centradas nos modelos moleculares e biotecnológicos”, observa Vimieiro.

SUPERAÇÃO NO DNA

Trechos de relatos dos entrevistados que mostram os esforços necessários nos primórdios do ICB

A concentração das disciplinas básicas

O espaço amplo que as disciplinas básicas ocupavam na Faculdade de Medicina foi incorporado ao novo Instituto. A mudança gerou dificuldades e com elas também insatisfações, tanto de professores como também de servidores técnicos e administrativos (TAE).

"A criação do ICB foi um “feito histórico”, vamos falar assim. Mas, que assustou muito a muita gente. Desde o pessoal docente até o corpo administrativo. Por que? De repente, aquele prédio da Medicina, que tem 10 andares, virou uma cidade, com a chegada do pessoal [do ICB] e foi agrupando todo mundo. (...) Teve muito colega nosso, administrativo, que pediu remoção para algum setor da Medicina. Eles não quiseram ficar no ICB"
Relato do TAE Darcy Santos - servidor aposentado do departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB, e que vivenciou a transição. Na época da entrevista ele tinha 75 anos de idade

Busca de soluções de integração

“Desde o início, um grupo de professores se destacou na busca de soluções para o ensino integrado e a criação de disciplinas integradas de primeiro nível. Pensar em um ou dois anos de estudos em comum para todos os cursos das áreas biológica e da saúde; pensar em disciplinas e em como acomodar os alunos; como acomodar tantos alunos em uma só disciplina? E a prática nos laboratórios? E como avaliar tantos alunos ao mesmo tempo? O grande e moderno prédio da Faculdade de Medicina não era suficiente para tudo isso. Era preciso buscar alternativas. A aplicação das provas é um bom exemplo de como o ICB precisava de uma logística diferente à que a todos estavam acostumados. Outros espaços e outros horários precisaram ser pensados: Escola de Engenharia sábado de manhã, auditórios das faculdades de Direito e das Ciências Econômicas, auditório da Secretaria de Saúde, sexta à noite”. “Um processo muito trabalhoso, complicado e frequentemente gerador de atritos””
Relato do Prof. José Carlos Nogueira

As provas

“Dávamos provas, não sei se (...) alguém já mencionou, na Escola de Engenharia, nos sábados de manhã. (...) Aulas e provas. E também usávamos o auditório da Secretaria de Saúde que hoje é lá o Minascentro. Ficavam 600 alunos, tinha 30, 40 professores tomando conta deles. Imagina a logística daquela época, sem internet, sem.., que era um problemão. E com gente insatisfeita, que saiu do seu cantinho, sem querer. [Ia] obrigado.
_ Amanhã você tem que estar lá na Medicina.
_Ah, eu não quero.
_ Mas você tem que estar lá.
E você tinha gente, pessoas... Enquanto outros brigavam para ir, uns brigavam para não ir, para ficar nas suas origens"
Relato do Prof Hugo Godinho

 

Foto: Foca Lisboa - UFMG.Arte: Anderson Rodrigues - Comunicação ICB.


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