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Vacina.Eu quero
Quando usamos um remédio contra uma doença causada por vírus a função da substância é “atacar” e destruir este germe, ou, pelo menos, evitar que a doença progrida para um estado grave. Contra a covid-19, porém, não existe nenhum tratamento comprovadamente eficaz


Não há nada que possa prevenir a covid-19
, a não ser as vacinas! Se você ouviu dizer que esse ou aquele remédio previne, melhor assistir a este vídeo antes de se aventurar. E, enquanto não chega sua vez na fila da vacina para as duas doses necessárias para imunizar contra a doença, as únicas ferramentas que temos no momento para controlar a pandemia são aquelas já bem conhecidas: - use máscara; lave ou desinfete as mãos sempre que tocar alguma superfície, fuja de aglomerações, redobre a atenção com a higiene em casa, não visite, e não divulgue informação de fonte duvidosa.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as vacinas têm a função de ensinar nosso sistema imunológico a combater o vírus. Parece aquela ideia de dar a vara de pescar em vez do peixe! Ou comprar um seguro contra roubo, ou de vida, para você ou sua família não terem problemas futuros em caso de um infortúnio. Prevenção!

No Brasil temos umas seis vacinas que se despontam, até agora. Duas foram aprovadas pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária: Oxford/AstraZeneca/Fiocruz e Coronavac/Sinovac/Butantan, e já estão sendo distribuídas.

A produção de uma vacina pode ser feita de maneiras muito diferentes: usando uma parte menos prejudicial do germe que se quer imunizar, com o próprio germe inativado (ou seja, morto), ou ainda a partir de algo criado para se parecer com esse germe.

A tecnologia mais tradicional e conhecida usa o vírus que se quer combater, mas na forma “inativada”, o que não permite que a pessoa contraia a doença apenas por se vacinar. São feitas assim as vacinas de gripe, tétano, coqueluche, paralisia infantil, hepatite A e muitas outras, inclusive a Coronavac/Sinovac/Butantan. O Centro de Produções de Fármacos do ICB participa dos testes clínicos dessa vacina, em colaboração com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Aprovadíssimas

A Oxford/AstraZeneca/Fiocruz é mais inovadora. Vacina de vetor viral, cujo gene responsável pela replicação é removido, ela é fruto de engenharia genética. Em um adenovírus os cientistas inserem uma pequena parte da coroa do coronavírus. É como se vestissem uma fantasia no adenovírus. Modificada, a nova estrutura produz uma proteína do vírus da covid-19 contra a qual o nosso corpo desenvolve a resposta imune que protege contra a doença. Em junho de 2020 o governo federal anunciou um acordo para produzir esta vacina. Como se trata de um Organismo Geneticamente Modificado ou OGM, esta vacina precisou ser aprovada primeiro pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Embora em termos de tecnologia ambas as vacinas disponíveis no Brasil sejam muito diferentes, a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) garante que as duas são seguras e sua eficácia é muito semelhante, pois elas protegem praticamente 100% contra o desenvolvimento de formas graves da doença.

Os números aparentemente muito diferentes entre elas se justificariam principalmente pela falta de um padrão internacional para produção de vacinas, especialmente os critérios usados para escolher os voluntários e para definir o que seria "presença da doença". Por outro lado, a eficácia delas se assemelha a de vacinas largamente usadas, como a da altamente contagiosa Tuberculose. Descubra como se faz o cálculo de eficácia com a professora de matemática Sônia Carvalho, da UFMG.

Outras vacinas, como a da Pfizer/Moderna, utilizam tecnologia ainda mais nova para produzir uma molécula de RNA que faz com que as nossas células produzam a proteína do vírus da covid-19 contra a qual o sistema imune reage.

Vacinas UFMG

Ainda na fase de ensaios pre-clínicos existem um pouco mais de 10 outras vacinas sendo desenvolvidas no Brasil. Duas delas estão na UFMG. Uma desenvolvida com a Fiocruz Minas e outra com o Butantan/Universidade Federal de Santa Catarina. O desenvolvimento de uma vacina nacional pode ser muito estratégico para que o país tenha capacidade de gerar sua própria tecnologia nesse campo e no futuro possamos ter maior autonomia no caso de nos depararmos com escassez no fornecimento.

A primeira, adota tecnologia semelhante à usada pela Universidade de Oxford, que trabalha com vetores virais. A diferença básica entre a vacina UFMG/Fiocruz Minas em relação às outras que usam engenharia genética é a tentativa de usar outros vetores virais, além do adenovírus, como estratégia para minimizar a resposta contra o próprio vetor e ampliar a eficácia da vacina. A expectativa é que a vacina da UFMG esteja na fase 3, dos testes clínicos, entre o final de 2021 e de 2022.

Já a vacina UFMG/UFSC/Butantan usa a BCG, a bactéria usada na vacina contra a tuberculose, para produzir alguns genes que são expressos pelo Sars-CoV-2 para induzir o corpo a criar imunidade contra o vírus. Saiba mais sobre essa vacina nessa entrevista do professor Sérgio Costa, do ICB UFMG, para o programa Conexões, da rádio UFMG Educativa..

 LEIA TAMBEM

Entrevista - Erna Kroon fala sobre segurança de uso da vacina Fiocruz/Oxford - 31/01/2021

 

 

Colaboraram com este texto os professores - Santuza Maria Ribeiro Teixeira, Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB e coordenadora do CT-Vacinas UFMG. Erna Geessien Kroon, Departamento de Microbiologia do ICB e membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Sérgio Costa Oliveira, titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia do ICB. Flávio Guimarães da Fonseca, Departamento de Microbiologia do ICB e Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.

Redação - Sônia Pinto de Carvalho, professora do ICEX UFMG e Marcus Vinicius dos Santos, jornalista do ICB UFMG. Arte de Anderson Rodrigues.
Este texto integra a Especialização em Comunicação Pública da Ciência Amerek, sob orientação da professora Verônica Soares da Costa.

 

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