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Produto passará por última fase de testes antes de aprovação da Anvisa, com previsão para setembro

Novo sistema detecta classe de anticorpos mais duradourosFoto DivulgaçãoUm lote piloto do kit sorológico IgG para covid-19, teste para detecção do novo coronavírus baseado no método Elisa, acaba de ser concluído pelo Centro Tecnológico de Vacinas da UFMG (CT Vacinas) – que conta com a parceria de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – e por Bio-Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz.

Após a submissão do protótipo a testes e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto poderá ser produzido em larga escala, e serão estudadas parcerias com órgãos de distribuição não comerciais. O kit utiliza como base o método conhecido como Elisa – sigla, em inglês, para ensaio de imunoabsorção enzimática –, que se destaca por ser mais sensível do que os exames rápidos, o que evita falsos negativos.

“Nossa proposta é de um sistema de diagnóstico que detecta a presença de uma classe específica de anticorpos, que são os mais duradouros em resposta a qualquer infecção, qualquer corpo estranho que entre no organismo, os anticorpos do tipo IgG”, explica o professor Flávio Fonseca, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e pesquisador do CT Vacinas.

Os pesquisadores produziram, de forma recombinante, uma proteína do vírus Sars-CoV-2 em bactérias, que é colocada durante o teste em uma placa de plástico. Em seguida, o sangue do indivíduo analisado é inserido no mesmo ambiente. “Se houver anticorpos, esse sangue se liga à proteína. Então, um segundo anticorpo é usado para reconhecer a presença de anticorpos ligados às proteínas de Sars-CoV-2 produzidas em bactérias. De forma geral e simplificada, é dessa forma que funciona o nosso kit”, detalha Flávio Fonseca.

O kit, que tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCT-V) e da RedeVírus do MCTI, foi integralmente desenvolvido pelo CT Vacinas. Após os primeiros resultados positivos obtidos na UFMG, o material foi validado por outros laboratórios brasileiros, que procederam a análises independentes e emitiram laudos comprovando a boa performance.

A última etapa do processo foi o envio dos componentes para Bio-Manguinhos, com vistas à produção dos primeiros lotes para teste. Agora, com protótipos do kit prontos, serão realizados experimentos fora do ambiente do laboratório da Fiocruz e enviadas amostras para a Anvisa. Após a aprovação da agência reguladora, com previsão para setembro, a Bio-Manguinhos iniciará a produção em larga escala e estabelecerá contato com órgãos de distribuição sem fins comerciais, para que o produto possa chegar à população brasileira.

TECNOLOGIA NACIONAL

Com a proposta do CT Vacinas da UFMG, os pesquisadores buscam nacionalizar a tecnologia de diagnóstico. Segundo Flávio Fonseca, essa é uma necessidade “absolutamente premente”, já que a maior parte dos testes sorológicos para covid-19 existentes no Brasil foi importada, e a testagem da população é um dos maiores gargalos para o controle da epidemia no país.

“Como o mundo inteiro demanda insumos para combate à covid-19, os processos de importação podem durar meses. Portanto, a produção de testes em massa no Brasil é estratégica para que sejamos independentes nesse aspecto”, destaca o pesquisador.

 

 

 (Com Redação Cedecom UFMG)

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