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Pesquisadora do Laboratório de Neurofarmacologia, durante avaliação dos cérebros dos animais tratados com cocaína pela técnica de imunofluorescênciaPesquisadora do Laboratório de Neurofarmacologia, durante avaliação dos cérebros dos animais tratados com cocaína pela técnica de imunofluorescência - Foto: Antônio Carlos PinheiroPossibilidade de inibição do sistema imunológico abre novo caminho para estudos que combatem dependência da droga

Várias pesquisas têm tentado identificar o processo de dependência de drogas, como forma de combater esse grave problema de saúde pública mundial. Mais recentemente, as células imunológicas do cérebro, as micróglias, além de nos defenderem de microrganismos passaram a ser suspeitas de também contribuir para o desenvolvimento da dependência química.

Comunicação entre micróglias e neurônios quando há consumo de drogasComunicação entre micróglias e neurônios quando há consumo de drogasPublicado em agosto na Scientific Reports, revista do grupo Nature, um estudo experimental desenvolvido no Instituto de Ciências Biológicas da UFMG traz resultados que parecem ter dado um passo importante para permitir esclarecer essa relação.

Os cientistas observaram, por enquanto apenas em camundongos, que uma proteína inibidora da sinalização neuroquímica de células especializadas do cérebro (CSF1R PLX3397), muito usada em testes clínicos oncológicos, pode tanto dificultar o mecanismo de ação da cocaína quanto tornar os animais menos vulneráveis aos efeitos nocivos da droga.

Esse procedimento reduziu a atividade de aproximadamente a metade das micróglias e isso alterou o comportamento e as mudanças moleculares induzidas pela cocaína. “Ou seja, foram evitadas várias alterações bioquímicas provocadas pela cocaína no cérebro dos animais", afirma Maria Carolina Silva, doutoranda do programa de Pós-graduação em Fisiologia e Farmacologia do ICB, sob coordenação do professor Antônio Carlos Pinheiro de Oliveira, do Laboratório de Neurofarmacologia.

"Esses resultados promissores podem abrir as portas para o desenvolvimento de tratamentos eficazes para o abuso de cocaína", considera Fabrício Moreira, professor do departamento de Morfologia e um dos colaboradores do estudo. Considerando a complexidade da doença, no entanto, Antônio Oliveira faz questão de advertir que, apesar de demonstrada a potencial aplicação deste fármaco para o tratamento de dependência química, mais estudos são necessários ainda para uma melhor avaliação dessa substância em seres humanos.

Além de cientistas do departamento de Farmacologia e do departamento de Morfologia do ICB UFMG, o estudo também tem participação de pesquisador do Departamento de Psiquiatria e Ciência Comportamental da Faculdade McGovern, de Houston, nos Estados Unidos.

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Doença crônica, a dependência química está associada a alterações em estruturas do cérebro importantes para sensações de prazer, motivação e recompensa. Suas consequências vão muito além das questões emocionais que atingem o indivíduo e seus familiares, alcançando mesmo toda a sociedade, desde a redução da capacidade de trabalho do indivíduo, até o aumento da criminalidade e dos gastos com internações e tratamentos públicos, dentre outros. O tratamento disponível consiste na realização de psicoterapia e administração de medicamentos, porém ainda com baixa eficácia e alta taxa de abandono.

LEIA O ARTIGO

Inhibition of CSF1R, a receptor involved in microglia viability, alters behavioral and molecular changes induced by cocaineInhibition of CSF1R, a receptor involved in microglia viability, alters behavioral and molecular changes induced by cocaine
Maria Carolina Machado da Silva, Giovanni Freitas Gomes, Heliana de Barros Fernandes, Aristóbolo Mendes da Silva, Antônio Lúcio Teixeira, Fabrício Araújo Moreira, Aline Silva de Miranda, Antônio Carlos Pinheiro de Oliveira
Sci Rep. 2021 Aug 6;11(1):15989

 

(Marcus Vinicius Dos-Santos)

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