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Serrapilheira

O Instituto Serrapilheira anunciou, no último dia 26, o resultado de sua 2ª Chamada Pública de Pesquisa Científica. De Minas Gerais vieram 5 dos 24 trabalhos contemplados, desenvolvidos nas universidades federais de Minas Gerais, Lavras, Ouro Preto e Viçosa. Da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram selecionados dois jovens e recentes professores, ambos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB): Fernanda Antunes Carvalho e Luiz Eduardo Del Bem.

Segundo o Serrapilheira, iniciativa do documentarista João Moreira Salles, herdeiro do banco Unibanco, e de sua esposa, Branca Moreira Salles (Veja entrevista da Scientific American), o objetivo desta chamada pública era identificar pesquisas de excelência, que busquem responder a questões “fundamentais, criativas e audaciosas, sem exigência de aplicabilidade, nas áreas de Ciências Naturais, Ciência da Computação e Matemática”.

Após um ano os projetos serão reavaliados e poderão receber até R$ 1 milhão para uma nova temporada de três anos de pesquisas. “Além de receber o apoio financeiro, os novos grantees participarão de treinamentos, workshops e eventos de integração”, registra notícia que divulga o resultado da seleção. O texto também esclarece que os candidatos foram avaliados por 44 pesquisadores de diferentes países, tendo sido as revisões coletivas realizadas nos Estados Unidos, Austrália e Israel.

CURIOSIDADE

"Serrapilheira, manta morta ou liteira é a camada formada pela deposição dos restos de plantas (folhas, ramos) e acúmulo de material orgânico vivo em diferentes estágios de decomposição que reveste superficialmente o solo ou o sedimento aquático. É a principal via de retorno de nutrientes ao solo ou sedimento". (Fonte: Wikipedia)

Conheça os projetos do ICB

Fernanda Antunes Carvalho“Compreendendo a interação planta-polinizador no Cerrado com DNA-metabarcoding”

A identificação de espécies com base na morfologia pode ser uma abordagem de baixo rendimento e que, às vezes, pode resultar em informações ambíguas ou até antagônicas. O projeto proposto por Fernanda Carvalho parte do pressuposto de que a relação entre planta e polinizador, um dos fatores responsáveis pelo sucesso evolutivo das flores, é extremamente importante para a manutenção dos ecossistemas terrestres e também para agricultura garantindo nossa segurança alimentar. Embora as abelhas formem o principal grupo de polinizadores, este serviço ecossistêmico, essencial para a sobrevivência humana, encontra-se ameaçado. As comunidades de abelhas nativas são importantes provedoras dos serviços de polinização. A dependência das abelhas pelo pólen e pelo néctar das plantas as tornam extremamente vulneráveis às mudanças ambientais. No entanto, o grau de especialização entre plantas e seus polinizadores ainda é pouco compreendido, especialmente em regiões megadiversas como o Brasil. Entre as principais dificuldades encontra-se a escassez de estudos multidisciplinares entre zoologia, botânica e genética utilizando metodologias que analisem as interações planta-polinizador em grande escala e de forma rápida e eficiente. Uma abordagem emergente é o uso de DNA metabarcoding aplicado a análise de carregamentos polínicos encontrados no corpo dos polinizadores. Já existem evidências de que o DNA metabarcoding de pólen é efetivo e rápido em detectar interações planta-polinizador. Segundo a cientista, o método permite revelar, inclusive, interações que nunca foram observadas. “No entanto, ainda não existem estudos na região Neotropical, onde a caracterização genética das espécies é praticamente inexistente. Neste projeto vamos combinar um estudo de levantamento florístico com caracterização morfológica e genética das espécies via DNA barcoding para identificação das espécies de plantas com flores”, afirma. Em seguida, técnicas de metabarcoding serão aplicadas nos carregamentos de pólen encontrados no corpo das abelhas nativas sem ferrão para investigar as interações planta-polinizador no Cerrado. “Qual o grau de especialização destas interações?”, “Qual o impacto das abelhas nativas no cultivo de plantas alimentícias convencionais?”, assim como “Quais as principais espécies de plantas do Cerrado que podem ser utilizadas para aprimorar a Meliponicultura no Brasil?” são algumas das perguntas para as quais o projeto buscará respostas.

Prof Luiz Eduardo Del Bem ICB UFMGFoto / Prof. Luiz Eduardo Del Bem Departamento de Botânica/ICB/UFMG

 

“As origens da vida em terra firme: como algas terrestres microscópicas criaram os solos do planeta e deram origem às plantas terrestres”

O projeto aprovado se dedica a estudar as chamadas crostas de solo fotossintetizantes, comunidades ainda muito pouco conhecidas de algas e outros microorganismos que habitam a superfície de solos e rochas. Segundo o cientista, a iniciativa integra uma linha de pesquisa maior, por meio da qual se busca entender a origem das plantas terrestres (Embryophyta), que são todas as plantas que corriqueiramente vemos, desde os menores musgos até as maiores árvores. “Acredito que estas comunidades de microorganismos podem nos ensinar muito sobre como os primeiros ecossistemas terrestres eram”, avalia. Para isso o projeto propõe sequenciar o DNA total dessas comunidades (“o que chamamos de metagenoma”), para identificar quais organismos estão lá e o que são capazes de fazer em termos funcionais. “Queremos conhecer os genes dessa comunidade”, esclarece. Outro objetivo é medir a capacidade de agregação de solo de diversos grupos de algas com técnicas experimentais modernas, o que pode comprovar a ideia de que essas primeiras comunidades terrestres fotossintetizantes, compostas inicialmente apenas por organismos microscópicos, foram responsáveis por criar os primeiros solos do planeta Terra. Tudo isso se baseia na "teoria da microfloresta" -- que vem sendo desenvolvida pelo próprio autor há alguns anos, e que começou durante sua pesquisa na Universidade Federal da Bahia. Essa teoria propõe que o meio terrestre foi colonizado por sucessivas ondas de várias linhagens diferentes de algas. Essas espécies de algas se tornaram os primeiros produtores primários -- que fazem fotossíntese -- em terra firme. “Uma das implicações desta teoria é que este tipo de microecossistema poderia ter produzido os primeiros solos do planeta, que, por sua vez, podem ser definidos como rochas moídas misturadas a componentes biológicos que produzem agregação dessas partículas”, explica o professor, citando como exemplo disso o xiloglucano, um polissacarídeo usado por plantas para modular a agregação do solo em torno das raízes.

SAIBA MAIS 

A evolução do xiloglucano e a terrestrialização das plantas verdes

Ancestrais das plantas terrestres são mais antigos e mais simples do que se pensava (Português)

Primeiros pontos de apoio das plantas terrestres podem ter sido muito menores do se imaginava (Inglês)

A importância de ser pegajoso (Inglês)

CONTATOS PARA ENTREVISTAS

Profa. Fernanda Antunes Carvalho

Departamento de Genética, Ecologia e Evolução/ICB/UFMG

Prof. Luiz Eduardo Del Bem

Departamento de Botânica/ICB/UFMG

Telefone (31) 3409 3011

 

MAIS INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Assessoria de Comunicação Social e Divulgação Científica

Jornalista responsável: Marcus Vinicius dos Santos – MTB 6.139 MG

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