• GÊMEOS UNIVITELINOS E DIZIGÓTICOS

     
    Como será nascer com uma cópia idêntica a si mesmo, mesmo que aos poucos ela vá se modificando? Porque essas pessoas aparentemente iguais e fruto da mesma gestação reagem de forma diferente diante dos estímulos recebidos e desenvolvem personalidades distintas?
    Como se sentirão os gêmeos dizigóticos, aqueles gerados por dois óvulos e dois espermatozóides, portanto com carga genética distinta, que não são necessariamente parecidos, mas que estiveram juntos desde o útero materno?
    Gêmeos sempre despertam curiosidade, especialmente os univitelinos que são monozigóticos, isto é, formados a partir da divisão de um único óvulo fecundado por um só espermatozóide.
    A gestação gemelar tem características particulares e implica seguimento mais cuidadoso por parte do médico e da própria gestante. Dificilmente atinge as quarenta semanas previstas porque a capacidade de distensão do útero vai até certo ponto e a maioria dos partos é feita por via alta, ou seja, por cesariana.
     
     O que são gêmos univitelinos?
     
    Os gêmeos podem ser de dois tipos: monozigóticos e dizigóticos. Os gêmeos monozigóticos são também chamados de idênticos ou univitelinos. Eles se originam de um único zigoto (célula-ovo), ou seja, um único óvulo fecundado por um único espermatozóide. A célula –ovo, por um processo ainda não muito esclarecido, se divide em duas partes iguais, as quais, cada uma  originará um bebe.
    Do ponto de vista genético, esses gêmeos são idênticos e, obviamente, pertencem sempre ao mesmo sexo. Cerca de 25% dos gêmeos são monozigóticos. Gêmeos univitelinos têm o mesmo genoma, mas apresentam diferenças físicas e psíquicas adquiridas em processos distintos de desenvolvimento individual.
                         
                          Ultra-som de gêmeos univitelinos   
                                                                                        Gêmeos univitelinos
     
    Diferenças na gravidez:
    Quando a separação dos gêmeos humanos acontece dentro de 72 horas após a fertilização, resultam dois embriões distintos, cada um com seu cório  e âmnio. Isto acontece em certa de 30% das gestações monozigóticas. Se a separação dos gêmeos humanos acontecer 4-8 dias após a fertilização, haverá a formação de um só cório mas duas cavidades amnióticas. Esta variação ocorre em 2/3 das gestações monozigóticas. Quando a separação dos gêmeos acontece 8-13 dias, apenas um âmnio e cório se formam. Certa de 2% das gestações incluem essa variação.
    O saco vitelino, o alantóide e o cordão umbilical formam-se separadamente, com cada embrião possuindo o seu.
    Menos comuns são os gêmeos idênticos originados na fase de segmentação, onde precocemente os blastômeros (2-8) se separam. Neste caso, cada gêmeo possui seus próprios anexos embrionários, mas as placentas de ambos podem de fundir.
     

     

     Separação dentro de 72 horas

      O que são gêmeos fraternos?
    Os gêmeos fraternos são dizigóticos ou bivitelinos e são resultado de fertilização de dois óvulos e dois espermatazoides. Eles compartilham até 50% de informação genética, podem ou não ser do mesmo sexo e ter ou não o mesmo fator sanguíneo. E não se assemelham mais do que dois irmãos com a mesma idade.
    Metade de todos os gêmeos fraternos são pares formados por menino e menina. Um quarto é composto de dois meninos e outro quarto de duas meninas. Ficam em duas bolsas amnióticas e duas placentas separadas, mas há casos em que se alojam tão próximo um do outro que as placentas se fundem como se fossem uma só. A maioria dos gêmeos fraternos desenvolvem-se de óvulos fecundados na mesma ocasião, mas as vezes o segundo óvulo é fecundado após dois dias. Mesmo assim, os dois bebes nascem com um intervalo de alguns minutos. Um em cada milhão de gêmeos deste tipo têm cores diferentes, mesmo sendo do mesmo pai. É possível gêmeos fraternos terem pais diferentes.
                                   
     
     
    O normal é a mulher liberar apenas um óvulo que será fecundado por um único espermatozóide e dará origem a um só feto. Por que algumas mulheres eliminam dois óvulos ao mesmo tempo ou um óvulo que depois de fecundado dá origem a dois embriões?
    Existem várias teorias para explicar o caso dos gêmeos não-idênticos. Uma delas defende que a elevação de certos hormônios estimula a liberação dos óvulos e por isso as gestações gemelares são mais freqüentes entre os 30 e 37 anos da mulher. Outra levanta a possibilidade de que essa elevação hormonal esteja associada a alguns tipos de alimentos. Já se constatou também que a freqüência dessas gestações é pequena entre os orientais e um pouco menor entre os brancos do que entre os negros.
    Quanto à gestação de gêmeos idênticos provenientes de um único óvulo, as teorias são muitas, mas nada de muito concreto foi encontrado para explicar por que isso acontece. Parece não haver dúvida, porém, de que não há componente genético envolvido, ao contrário do que acontece com os gêmeos não-idênticos.  
    O que são gêmeos siameses?
     
    Os gêmeos xifópagos, ou siameses, são monozigóticos, ou seja, formados a partir da mesma célula ovo. Em geral, em pouco mais de uma semana o embrião se separa em dois, mas se essa divisão demorar mais que 12 dias, será tarde demais e as células acabarão formando partes do corpo ou órgãos em comum aos dois. Quando isso acontece em partes vitais como pulmão, coração ou cérebro, um dos gêmeos tem de ser sacrificado. Se não, podem ser separados cirurgicamente.
    O embrião de gêmeos xifópagos é, então, constituído de apenas uma massa celular, sendo desenvolvido na mesma placenta, com o mesmo saco aminiótico. Estima-se que dentre 40 gestações gemelares monozigóticas, uma resulta em gêmeos interligados por não separação completa.
    Num outro tipo de gêmeos xipófagos (hoje sabidamente mais comum) a união acontece depois, ou seja, são gêmeos idênticos separados que se unem em alguma gase da gestação por partes semelhantes: Cabeça com cabeça; Abdomen com abdomen; Nádegas com nádegas, etc. Quando vemos alguma noticia de gêmeos que fora "separados" por cirurgia, trata-se, quase sempre, de um caso deste
    Do ponto de vista médico, os casos de siameses compõem o interessante capítulo da embriologia chamado "teratologia". Nela se estudam as anormalidades anatômicas acusadas em um único indivíduo ou em duplos. Teríamos na classificação principal os "monstros de eixos corporais paralelos" (teratópagos), os em forma de "Y", "Y" invertido e os parasitários. Nos primeiros, conforme as partes do corpo ligadas, existem várias classificações e sub-classificações. Teríamos os toracópagos (ligados pelo tórax), os esternópagos (ligados pelo osso externo) os cefalotoracópagos (ligados pela cabeça e tórax), os metópagos (ligados pela face) e os pigópagos (ligados pelo dorso). Naqueles em forma de "Y", há uma bifurcação a partir de certo ponto do eixo do corpo, isto é, duas cabeças e dois troncos para um par de pernas. Nos "Y" invertidos, há uma cabeça e tronco e pares de membros duplos. No grupo dos parasitários, um dos indivíduos é atrofiado e parasita o outro, que, em geral, é bem desenvolvido e proporcionado.